Pais em outras culturas Repouso pós-parto Em algumas tribos indígenas brasileiras, é costume o pai manter resguardo no lugar da mãe que deu à luz. São quase dois meses de descanso, com alimentação leve e abstenção de sexo. Também para ele são destinados os presentes dados pelos membros da família. Costume machista? Nada disso. É que, para essas sociedades, o pai é o responsável pela existência do filho. O bebê só cresce e se fortalece no útero materno por causa das constantes "visitas" do futuro pai à sua mulher. Esse grande esforço de nove meses de relações sexuais constantes exige repouso, para renovar as energias físicas.
Responsabilidades religiosas
Na cultura judaica tradicional, o pai é responsável pela educação religiosa dos filhos. O destaque fica para a educação do menino, que, a partir dos 7 anos, começa a aprender os rituais religiosos. Com 13 anos, o pai o leva à sinagoga, onde, depois da cerimônia conhecida como Bar-Mitzva, o garoto se torna membro efetivo e participante da comunidade. Nas famílias judaicas, exemplos de patriarcalismo, os pais recebem todo o respeito e obediência dos filhos Tradição oral Entre os ciganos, a figura paterna tem papel de destaque. Cabe ao pai a decisão final sobre qualquer atitude dos filhos e é ele quem supervisiona a educação que a mãe dá às crianças. É também o pai quem se encarrega de ensinar aos meninos as técnicas de comércio, forma milenar de sobrevivência do povo cigano. Numa cultura que valoriza a tradição oral, o pai tem o dever de passar para sua descendência os conhecimentos adquiridos nas gerações passadas, como tocar instrumentos musicais (acordeão, violão e violino), fazer artesanato de cobre e falar a língua de seu povo, o romanês. Também é ele quem decide sobre o casamento dos filhos. Namoro? Nem pensar. Os pais da noiva e do noivo se reúnem e definem o dote, pago pela família do futuro marido. O poder do pai sobre os filhos só acaba em caso de casamento desfeito. Nessa situação, o pai não pode mais ver os filhos pelos próximos dez anos. O fim do casamento representa o fim da paternidade.
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Como nossos pais
Se me permitem a ousadia, vou começar esse texto com uma frase da poeta: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais......” Longe de mim pregar ou ser fã fervoroso de Elis Regina. Não é isso. Até gosto, mas nada mais que um bom apreciador de música. Na verdade uso esse apelo poético (se é assim que se diz) para falar (ou escrever) um pouco sobre um assunto que vem deveras me incomodando. A crise dos 40. Não, não vou lamentar a idade, ou dizer que estou preocupado com suas conseqüências físicas ou psíquicas. Sinceramente, não tenho nem tempo para isso. Até porque ainda não cheguei lá. Falta um pouquinho. Falo do quanto mudamos, evoluímos e nos modernizamos e o quanto ainda somos parecidos com nossos pais. Não venha me dizer que você, que beira os quarenta, (seja para mais ou para menos) e já tem filho, família, trabalho, estabilidade financeira (se é que isso existe) compromisso, responsabilidade e todas aquelas coisas que queremos ou buscamos como seres humanos socialmente evoluídos, nunca pensou ou falou que é diferente de seus pais? Que quer para seu filho o que nunca teve? Que fala mais, é amigo e ainda por cima entende a juventude de hoje em dia? Bobagem. Somos todos iguais. Podemos até não perceber mas, com certeza, para nossos filhos, somos pais como nossos pais. Até porque a experiência de pai com filho é única e exclusiva, ou seja, cada um tem a sua a seu tempo e ponto. Dia desses conheci uma nova publicação editorial (e não estou fazendo merchandising) que se chama “Flashback”. Mas espera aí. Flashback não é o que tocava em 1970?. Ledo engano meu caro amigo. Para nós, futuros ou presentes emergentes dos quarenta anos, flashback é tudo aquilo que já passou (e não faz muito tempo). Pergunte se seu filho já ouviu falar de Ultramen, Speed Racer, Smurfs, Aquaplay, Falcon, Menudo (hahg!!!) e tantos outros exemplos. Você acha que esses são velhos. Pois bem, tente esses então: Paquitas, The Smiths, Plebe Rude, Cubo mágico, Magyver, são mais recentes, mas não menos desconhecidos. A geração atual é outro papo. Não, não tente entender. Apenas aceite. Óbvio que com a responsabilidade de pai que educa e orienta. E só. Não queira se misturar que você vai passar vergonha ou envergonhar seu filho. Sem essa de botar brinco, (a não ser que você já faça isso desde a adolescência), percieng, tatoo, gíria, etc. Você sabe quais são os três melhores Djs do mundo. Desencana, eu também não. E agora é assim: bailinho virou balada (se bem que bailinho já era ultrapassado na minha época), namoro virou “ficar”, lotado virou “bombando”, e por aí vai. Quer saber? É tudo a mesma coisa só que com a linguagem dos dias de hoje. E a crise dos quarenta? Deixa pra lá. Como dizem por aí, “o importante é ter saúde....” e quem manda é a cabeça, não é?. Só não vá se empolgar por que o corpinho meu amigo, esse sim, já não acompanha mais tanta coisa. Por isso, é sempre bom ter juízo. Seja bem vindo a maturidade. Ou modernidade, como queira...... Sobre o autor: Humberto Cristofoletti Neto é formado em Administração de Empresas e atua na área de Marketing há 12 anos.
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PAI E O HOMEM DOS SEUS SONHOS

Certamente você irá discordar se disserem que escolheu seu namorado à imagem e semelhança do seu pai. Mas creia, mulher: o relacionamento com seu genitor determina até o tipo de companheiro que deseja. Aliás, a similaridade entre os dois homens da sua vida é capaz de ir muito além do quesito caráter, pode ser até física! É o que revelou uma pesquisa realizada recentemente pela Universidade de Durham, na Grã-Bretanha. As participantes foram submetidas a um teste em que tinham de selecionar fotos de rapazes que as atraíam e em seguida responder a um questionário sobre a relação com os pais. Segundo os pesquisadores, as mulheres que não tinham do que reclamar optaram por homens parecidos com eles. Ok, talvez seu amado seja moreno, alto, de olhos pretos, e seu pai baixinho, loiro e dono de uma barriga saliente. Então, tente comparar os valores dos dois para ver se não há mesmo nenhuma semelhança. Ficará surpresa com o número de similaridades que pode encontrar. Segundo Maria Rita, essas semelhanças não são meras coincidências. "Quando a relação com o pai é boa, buscamos parceiros que ajam como ele, sabendo nos amar e respeitar." É o caso da publicitária Ana Machado, de 30 anos, que encontrou em Rodrigo um homem tão bem-humorado e batalhador quanto seu pai. "Conforme conheci melhor o Rô, percebi como eles tinha valores parecidos. Para mim, foi uma ótima descoberta."
Fonte: Revista Nova
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ENSINA A TEU FILHO
Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito e que ele deve crescer feliz por ser brasileiro. Há neste país juízes justos, ainda que esta verdade soe como cacófato. Juízes que, como meu pai, nunca empregaram familiares, embora tivessem filhos advogados, jamais fizeram da função um meio de angariar mordomias e, isentos, deram ganho de causa também a pobres, contrariando patrões gananciosos ou empresas que se viram obrigadas a aprender que, para certos homens, a honra é inegociável.
Ensina a teu filho que neste país há políticos íntegros como Antônio Pinheiro, pai do jornalista Chico Pinheiro, que revelou na mídia seu contracheque de parlamentar e devolveu aos cofres públicos jetons de procedência duvidosa.
Saiba o teu filho que, no monolito preto do Banco Central, em Brasília, onde trabalham cerca de 3 mil pessoas, a maioria é honrada e, porque não é cega, indignada ante maracutaias de autoridades que deveriam primar pela ética no cargo que lhes foi confiado.
Ensina a teu filho que não ter talento esportivo ou rosto e corpo de modelo, e sentir-se feio diante dos padrões vigentes de beleza, não é motivo para ele perder a auto-estima. A felicidade não se compra nem é um troféu que se ganha vencendo a concorrência. Tece-se de valores e virtudes e desenha, em nossa existência, um sentido pelo qual vale a pena viver e morrer.
Ensina a teu filho que o Brasil possui dimensões continentais e as mais fertéis terras do planeta. Não se justifica, pois, tanta terra sem gente e tanta gente sem terra. Assim como a libertação dos escravos tardou, mas chegou, a reforma agrária haverá de se implantar. Tomara que regada com muito pouco sangue.
Saiba o teu filho que os sem-terra que ocupam áreas ociosas e prédios públicos são, hoje, chamados de "bandidos", como outrora a pecha caiu sobre Gandhi sentado nos trilhos das ferrovias inglesas e Luther King ocupando escolas vetadas aos negros.
Ensina a teu filho que pioneiros e profetas, de Jesus a Tiradentes, de Francisco de Assis a Nelson Mandela, são invariavelmente tratados, pela elite de seu tempo, como subversivos, malfeitores, visionários.
Ensina a teu filho que o Brasil é uma nação trabalhadora e criativa. Milhões de brasileiros levantam cedo todos os dias, comem aquém de suas necessidades e consomem a maior parcela de sua vida no trabalho, em troca de um salário que não lhes assegura sequer o acesso à casa própria. No entanto, essa gente é incapaz de furtar um lápis do escritório, um tijolo da obra, uma ferramenta da fábrica. Sente-se honrada por não descer ao ralo que nivela bandidos de colarinho branco com os pés-de-chinelo. É gente feita daquela matéria-prima dos lixeiros de Vitória que entregaram à polícia sacolas recheadas de dinheiro que assaltantes de banco haviam escondido numa caçamba.
Ensina teu filho a evitar a via preferencial dessa sociedade neoliberal que nos tenta incutir que ser consumidor é mais importante que ser cidadão, incensa quem esbanja fortuna e realça mais a estética que a ética.
Saiba o teu filho que o Brasil é a terra de índios que não se curvaram ao jugo português e de Zumbi, de Angelim e frei Caneca, de madre Joana Angélica e Anita Garibaldi, dom Hélder Câmara e Chico Mendes.
Ensina a teu filho que ele não precisa concordar com a desordem estabelecida e que será feliz se se unir àqueles que lutam por transformações sociais que tornem este país livre e justo. Então, ele transmitirá a teu neto o legado de tua sabedoria.
Ensina teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política, pois quem age assim é governado por quem não tem e, se a maioria tiver a mesma reação, será o fim da democracia. Que o teu voto e o dele sejam em prol da justiça social e dos direitos dos brasileiros imerecidamente tão pobres e excluídos, por razões políticas, dos dons da vida.
Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor. Cultiva nele os desejos do espírito. Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o habita.
Frei Betto
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